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Morte de Sara Carreira: ERC acusa CMTV de desrespeitar a Constituição Portuguesa

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Foi na altura muito falado a forma como a CMTV ia reportando o caso da morte de Sara Carreira e agora surge a info de que valeu um processo na ERC. A Entidade Reguladora Para a Comunicação Social já deliberou e acusa a CMTV de violar a Constituição Portuguesa.

Foi no fatídico dia 5 de dezembro de 2020, que Sara Carreira, aos 21 anos, foi vítima de um acidente de automóvel, que viria a ser trágico . Durante três dias, de acordo com um documento da ERC, a CMTV emitiu “50 segmentos televisivos” sobre a morte da filha de Tony Carreira, entre os quais se destaca um total de “19 horas e 25 minutos” de transmissão (referente aos dias 5, 6 e 8 de dezembro desse ano).

“A certa altura, durante uma das ligações em direto para o local do acidente, a imagem mostra o referido jipe a ser rebocado, sendo visível a sua matrícula traseira. Esta imagem é repetida diversas vezes ao longo do segmento noticioso“, lê-se no documento.

“Cerca das 23h32, na última ligação em direto deste segmento para o Hospital de Santarém, a jornalista refere que, junto às personalidades anteriormente referidas, se encontram «alguns elementos da família Carreira», informação que repete mais três vezes“, acrescentou.

“A identificação de tais elementos não se revela consentânea com a proclamada reserva da identidade da vítima mortal, na medida em que, sobretudo os seus familiares conseguiriam associá-los à jovem com manifesta facilidade“, escreve a ERC.

A Entidade Reguladora Para a Comunicação Social acusa assim a CMTV de não fugir ao sensacionalismo e de desrespeitar “o direito à reserva da intimidade da vida privada, violando o disposto no artigo 26.º da Constituição da República Portuguesa“.

Posto isto, foi requisitado ao canal que “respeite escrupulosamente o direito à privacidade, abstendo-se de difundir elementos que permitam a identificação de vítimas mortais de acidentes antes do seu conhecimento, por parte dos familiares, pelas vias oficiais e que paute a cobertura informativa dessas ocorrências por estritas razões de interesse público, abstendo-se de emitir repetidamente, com apelo a elementos emocionais, notícias que põem em causa direitos de terceiros“.